Ah, os momentos em que a calma me abandona
E com ela meu livre-arbítrio, pois passo
a reagir instintivamente aos estímulos; e meu instinto
pode ser muito agressivo, mesmo com pessoas que gosto
Não sei precisar as causas disso. Mas seu efeito
já gerou muito ressentimento em pessoas que me são preciosas
E quando a calma volta, traz de volta opções de reação mais adequadas
Mas não traz de volta o momento em que eu deveria ter agido de outra forma
O remorso que me invade é proporcional ao descontrole
Tento encontrar justificativas e consigo
Me agarrar nas minhas mentiras para não me afogar no mar de culpa
E nadar lentamente de volta à tranquilidade
A inteligência que me permite perceber isso
É a mesma que me castiga, ao me levar por este caminho
É a mesma que diverte e encanta através das palavras
E também pelas palavras, fere, magoa a muitos...
...Inclusive a mim.
quinta-feira, outubro 28, 2004
sábado, outubro 23, 2004
Da parlosidade
Desde que o homem desenvolveu a linguagem que a pala é um importante instrumento para a realização dos seus desejos. Entenda-se como pala qualquer ocorrência verbal que visa a obtenção dos desejos do parloso. Muitas vezes a pala está associada à mentira, mas nem sempre isso é verdade. De vez em quando a pala é uma verdade, contada de forma tal que leve o ouvinte a fazer ou pensar o que o parloso deseja.
Existem vários tipos de pala. A pala sedutora, também conhecida como "cascata", visa atrair o sexo oposto (ou o mesmo sexo, depende da opção do parloso). A pala financeira objetiva alguma vantagem com o dimdim, seja para pagar menos no ra-rá da conta do bar, conseguir dinheiro emprestado ou mesmo protelar o pagamento do empréstimo já concedido. Tem a pala fanfarrona, onde se desperta a crença nos ouvintes de qualidades ou posses inexistentes no parloso. Já a pala "instinto de liso" visa receber algo de valor desprezível. A pala "advocacia" tenta limpar a barra de um amigo, ou de qualquer um que pague, no caso dos que exercem a profissão. Como se pode ver, a quantidade de tipos de pala é proporcional à pluraridade dos desejos humanos.
O parloso de boa índole, o bom malandro, se vale das palas para benefício próprio, sem prejudicar os outros. Mas há também os parlosos mau-caráter, que usam a pala de forma nociva. Difamação, intrigas, calotes: nessas áreas o parloso canalha tem prazer especial em atuar. Mas não podemos nos esquecer que a pala é um instrumento. Da mesma forma que não faz sentido ser contra a faca por ter gente que a usa para matar em vez de cortar o bife, também é ilógico opor-se à pala pelos patifes que a usam de forma vil. Portanto, viva a pala proferida pelos bons parlosos!
Existem vários tipos de pala. A pala sedutora, também conhecida como "cascata", visa atrair o sexo oposto (ou o mesmo sexo, depende da opção do parloso). A pala financeira objetiva alguma vantagem com o dimdim, seja para pagar menos no ra-rá da conta do bar, conseguir dinheiro emprestado ou mesmo protelar o pagamento do empréstimo já concedido. Tem a pala fanfarrona, onde se desperta a crença nos ouvintes de qualidades ou posses inexistentes no parloso. Já a pala "instinto de liso" visa receber algo de valor desprezível. A pala "advocacia" tenta limpar a barra de um amigo, ou de qualquer um que pague, no caso dos que exercem a profissão. Como se pode ver, a quantidade de tipos de pala é proporcional à pluraridade dos desejos humanos.
O parloso de boa índole, o bom malandro, se vale das palas para benefício próprio, sem prejudicar os outros. Mas há também os parlosos mau-caráter, que usam a pala de forma nociva. Difamação, intrigas, calotes: nessas áreas o parloso canalha tem prazer especial em atuar. Mas não podemos nos esquecer que a pala é um instrumento. Da mesma forma que não faz sentido ser contra a faca por ter gente que a usa para matar em vez de cortar o bife, também é ilógico opor-se à pala pelos patifes que a usam de forma vil. Portanto, viva a pala proferida pelos bons parlosos!
domingo, outubro 10, 2004
Semente de Maçã
O frio na barriga da paixão ainda nascente
Me embaça o olhar, as idéias e o conforto
Inquieto, mentalmente te busco
E te encontro sorrindo... apagando tudo ao meu redor
Ouvindo uma melodia qualquer, o violão na mão
Tento libertar meu pensamento de você
Mas ao tocar as cordas eu imagino os seus cabelos...
E a música resultante sequer arranha sua soberania na minha mente
Por fim te encontro, do mesmo jeito que minha memória te guardou
Dividimos idéias, sorrisos e discordâncias
Não sinto a menor vontade de te mostrar que está errada
Sabendo que corro o risco de ao ganhar a discussão, perder o seu afeto
Mesmo assim, sem querer, falo algo que te desagrada
A conversa é encerrada sem que eu entenda o motivo
Meu olho tira a última foto e eu deslizo para longe do seu olhar
Para perto de outras galerias onde eu poderia me distrair...
... Se o quadro do teu rosto não ofuscasse todos os outros.
Me embaça o olhar, as idéias e o conforto
Inquieto, mentalmente te busco
E te encontro sorrindo... apagando tudo ao meu redor
Ouvindo uma melodia qualquer, o violão na mão
Tento libertar meu pensamento de você
Mas ao tocar as cordas eu imagino os seus cabelos...
E a música resultante sequer arranha sua soberania na minha mente
Por fim te encontro, do mesmo jeito que minha memória te guardou
Dividimos idéias, sorrisos e discordâncias
Não sinto a menor vontade de te mostrar que está errada
Sabendo que corro o risco de ao ganhar a discussão, perder o seu afeto
Mesmo assim, sem querer, falo algo que te desagrada
A conversa é encerrada sem que eu entenda o motivo
Meu olho tira a última foto e eu deslizo para longe do seu olhar
Para perto de outras galerias onde eu poderia me distrair...
... Se o quadro do teu rosto não ofuscasse todos os outros.
sábado, setembro 25, 2004
Paranóico Esclarecido
Pare, pense, perceba
Transformações multiplicando-se silenciosamente
Por debaixo do véu da normalidade estática
Conspirações definem o destino de milhares
E ao se dar conta da verdade, você é levado ao psiquiatra
O vermelho na paisagem lhe lembra o sangue dos muitos
Que tiveram a existência encerrada sem nenhum motivo aparente
Todos mentem... o tempo todo; E a mentira torna-se verdade
Difundida pela imprensa, contestada por "lunáticos"
O mundo sangra, implorando por clemência
Como uma mãe tendo o ventre perfurado pelo filho
Toda a moralidade que supostamente seguimos é estilhaçada todos os dias
As tragédias constantes tornam-se estatísticas frias
E num quarto escuro, num prédio qualquer
Ele se diverte procurando mensagens ocultas
Sua coerência incontestável convence apenas o seu psicólogo
O resto da humanidade está vacinada contra a sua verdade
O que torna as coisas mais divertidas para ele
Rindo dos tolos fantoches, ele se isola em sua superioridade
Ampliando seus conhecimentos para se livrar da manipulação...
Ele prossegue descascando as infinitas camadas da conspiração
Ele pode vir a ser o salvador da humanidade
Ou mais um que não deixou sua marca na vida
Talvez justamente por não deixar marcas ele vá muito longe...
E ninguém jamais ficará sabendo
Transformações multiplicando-se silenciosamente
Por debaixo do véu da normalidade estática
Conspirações definem o destino de milhares
E ao se dar conta da verdade, você é levado ao psiquiatra
O vermelho na paisagem lhe lembra o sangue dos muitos
Que tiveram a existência encerrada sem nenhum motivo aparente
Todos mentem... o tempo todo; E a mentira torna-se verdade
Difundida pela imprensa, contestada por "lunáticos"
O mundo sangra, implorando por clemência
Como uma mãe tendo o ventre perfurado pelo filho
Toda a moralidade que supostamente seguimos é estilhaçada todos os dias
As tragédias constantes tornam-se estatísticas frias
E num quarto escuro, num prédio qualquer
Ele se diverte procurando mensagens ocultas
Sua coerência incontestável convence apenas o seu psicólogo
O resto da humanidade está vacinada contra a sua verdade
O que torna as coisas mais divertidas para ele
Rindo dos tolos fantoches, ele se isola em sua superioridade
Ampliando seus conhecimentos para se livrar da manipulação...
Ele prossegue descascando as infinitas camadas da conspiração
Ele pode vir a ser o salvador da humanidade
Ou mais um que não deixou sua marca na vida
Talvez justamente por não deixar marcas ele vá muito longe...
E ninguém jamais ficará sabendo
quarta-feira, setembro 15, 2004
O 11 de Setembro Russo
A capa da Veja foi chocante. Uma mãe acariciando o rosto da filha morta, com a outra mão no pescoço, posando para a tragédia. Ao ler a reportagem, o choque aumenta. O 11 de Setembro Russo foi revoltante, pela pouca idade dos alvos. Pela brutalidade dos terroristas, que atiraram pelas costas nas crianças que estavam conseguindo escapar. Pela truculência do governo russo, para o qual o sacrifício de civis é menos importante do que os interesses do Estado.
A revista diz que o terrorismo é o grande inimigo do mundo civilizado. O problema é que o terrorismo nada mais é do que uma reação dos oprimidos aos opressores, ao "mundo civilizado". O terrorismo é injustificável por matar civis aleatoriamente. Mas as mortes provocadas pelo mundo civilizado, por interesses econômicos, militares, são justificáveis ?
Uma consequência curiosa desse atentado foi a aproximação entre Bush e Putin, entre as antigas nações rivais, que num passado recente dividiam o mundo. O massacre ocorreu quando estamos perto das eleições para presidente nos EUA. Sem dúvida fortaleceu Bush e sua plataforma anti-terrorismo. Também é curioso que os EUA há anos têm agentes da CIA na Chechênia, apoiando movimentos separatistas. E foi justamente um grupo separatista, com a ajuda da Al Qaeda, que realizou o atentado.
A revista diz que o terrorismo é o grande inimigo do mundo civilizado. O problema é que o terrorismo nada mais é do que uma reação dos oprimidos aos opressores, ao "mundo civilizado". O terrorismo é injustificável por matar civis aleatoriamente. Mas as mortes provocadas pelo mundo civilizado, por interesses econômicos, militares, são justificáveis ?
Uma consequência curiosa desse atentado foi a aproximação entre Bush e Putin, entre as antigas nações rivais, que num passado recente dividiam o mundo. O massacre ocorreu quando estamos perto das eleições para presidente nos EUA. Sem dúvida fortaleceu Bush e sua plataforma anti-terrorismo. Também é curioso que os EUA há anos têm agentes da CIA na Chechênia, apoiando movimentos separatistas. E foi justamente um grupo separatista, com a ajuda da Al Qaeda, que realizou o atentado.
sábado, setembro 04, 2004
Cumprimento da Profecia
A tempestade moveu as pedras antigas
Utilizadas em rituais xamânicos
Por aqueles que nossos ancestrais dizimaram
Antes da morte, um último encanto foi lançado
Permaneceria engatilhado por séculos
Até que o deslocamento das pedras o disparasse
Os que tomaram peyote naquela semana
Tiveram a premonição do cataclisma
Entidades que o tempo não diminuiu o ódio
Por terem sido privados da terra, da vida
Despertaram para o cumprimento da profecia
As tragédias começaram... nos quatro cantos do planeta
Líderes mundias com medidas desesperadas
Tentavam inutilmente conter o avanço do caos
Os paranóicos passaram a ser levados a sério
E migraram dos consultórios psiquiátricos
Para a redação de jornais e revistas influentes
Os cultos multiplicaram-se, com suas promessas de salvação
E o dinheiro resultante era investido na segurança de seus pastores
No entanto, por mais alto que se erguessem os muros
E mais blindados que fossem os carros
A proteção era frágil, como um tanque de porcelana
De nada valeu quando a conta de tantas mortes teve de ser paga
A Natureza estava do lado dos Antigos
Que sabiam conviver harmonicamente com ela
As feras escaparam dos zoológicos
Logo após a eficiente campanha do desarmamento
Saciada a sede de justiça
As Entidades puderam desfrutar da paz
Da humanidade restaram apenas os altamente insanos
E o mundo jamais presenciou tamanha felicidade
Utilizadas em rituais xamânicos
Por aqueles que nossos ancestrais dizimaram
Antes da morte, um último encanto foi lançado
Permaneceria engatilhado por séculos
Até que o deslocamento das pedras o disparasse
Os que tomaram peyote naquela semana
Tiveram a premonição do cataclisma
Entidades que o tempo não diminuiu o ódio
Por terem sido privados da terra, da vida
Despertaram para o cumprimento da profecia
As tragédias começaram... nos quatro cantos do planeta
Líderes mundias com medidas desesperadas
Tentavam inutilmente conter o avanço do caos
Os paranóicos passaram a ser levados a sério
E migraram dos consultórios psiquiátricos
Para a redação de jornais e revistas influentes
Os cultos multiplicaram-se, com suas promessas de salvação
E o dinheiro resultante era investido na segurança de seus pastores
No entanto, por mais alto que se erguessem os muros
E mais blindados que fossem os carros
A proteção era frágil, como um tanque de porcelana
De nada valeu quando a conta de tantas mortes teve de ser paga
A Natureza estava do lado dos Antigos
Que sabiam conviver harmonicamente com ela
As feras escaparam dos zoológicos
Logo após a eficiente campanha do desarmamento
Saciada a sede de justiça
As Entidades puderam desfrutar da paz
Da humanidade restaram apenas os altamente insanos
E o mundo jamais presenciou tamanha felicidade
sexta-feira, setembro 03, 2004
Explodindo Calado
Ah, se você percebesse...
Se eu fosse capaz de te fazer perceber
O que explode dentro de mim
Se algum estilhaço pudesse te acertar
Te arranhando bem de leve a nuca
Te arrepiando e te fazendo amolecer...
Mas eu, prisão inviolável
Absorvo a explosão
E a fumaça que sai é apenas a do cigarro
Com o interior em cacos
Te olho do mesmo jeito
Indecifrável pra você
Nem tanto a timidez
Nem a falta de jeito com as palavras
Mais o medo de te perder
Mesmo sem te ter
Melhor ir explodindo calado
Na esperança da prisão se romper
Se eu fosse capaz de te fazer perceber
O que explode dentro de mim
Se algum estilhaço pudesse te acertar
Te arranhando bem de leve a nuca
Te arrepiando e te fazendo amolecer...
Mas eu, prisão inviolável
Absorvo a explosão
E a fumaça que sai é apenas a do cigarro
Com o interior em cacos
Te olho do mesmo jeito
Indecifrável pra você
Nem tanto a timidez
Nem a falta de jeito com as palavras
Mais o medo de te perder
Mesmo sem te ter
Melhor ir explodindo calado
Na esperança da prisão se romper
quinta-feira, setembro 02, 2004
Burguês Preocupado com o Social
A janela que me conecta com o mundo
Faz muito barulho ao abrir e fechar
Com receio de no meio da noite alguém acordar
Eu abafo seu ruído com a habilidade do meu punho
E deitado me deixo levar
Pelas imagens que a mente me apresenta num segundo
Me coloco no lugar de quem mora em local tão imundo
Imaginando o que vem em sua mente ao deitar
Talvez ele tenha o mesmo comportamento
Se deixa absorver, ainda que só por um momento
Pelas alegrias que sentiria ao estar no meu lugar
No entanto, terminado o devaneio, ao pisar no cimento
Ele volta pra sua realidade e seu eterno lamento
Equanto eu, com os pés na cerâmica, volto pro meu eterno desfrutar
Faz muito barulho ao abrir e fechar
Com receio de no meio da noite alguém acordar
Eu abafo seu ruído com a habilidade do meu punho
E deitado me deixo levar
Pelas imagens que a mente me apresenta num segundo
Me coloco no lugar de quem mora em local tão imundo
Imaginando o que vem em sua mente ao deitar
Talvez ele tenha o mesmo comportamento
Se deixa absorver, ainda que só por um momento
Pelas alegrias que sentiria ao estar no meu lugar
No entanto, terminado o devaneio, ao pisar no cimento
Ele volta pra sua realidade e seu eterno lamento
Equanto eu, com os pés na cerâmica, volto pro meu eterno desfrutar
segunda-feira, agosto 16, 2004
E assim caminha a humanidade
A brisa da praia, a água de coco gelada
O coco que caiu a poucos metros do senhor que jogava dominó
Senhor que minutos antes ignorou o menino no sinal
Menino que gostaria de estar na praia, tomando água de coco
Uma embalagem de barra de cereal no chão
Jogada por uma jovem integrante dos vigilantes de peso
A entidade que recusou inúmeras propostas de marketing de um chocolate "light"
O mesmo chocolate que é recomendado em uma das inúmeras dietas
Dietas concebidas por pessoas de colesterol alto
Que gostam de ficar na praia, comendo cereal e tomando água de coco
Pensando na nova idéia "revolucionária" com que enganaram as pessoas
Pessoas que estão preocupadas demais com o cereal e a água de coco para pensar de volta.
O coco que caiu a poucos metros do senhor que jogava dominó
Senhor que minutos antes ignorou o menino no sinal
Menino que gostaria de estar na praia, tomando água de coco
Uma embalagem de barra de cereal no chão
Jogada por uma jovem integrante dos vigilantes de peso
A entidade que recusou inúmeras propostas de marketing de um chocolate "light"
O mesmo chocolate que é recomendado em uma das inúmeras dietas
Dietas concebidas por pessoas de colesterol alto
Que gostam de ficar na praia, comendo cereal e tomando água de coco
Pensando na nova idéia "revolucionária" com que enganaram as pessoas
Pessoas que estão preocupadas demais com o cereal e a água de coco para pensar de volta.
terça-feira, agosto 10, 2004
Tava lendo numa Superinteressante antiga (janeiro de 2003) uma matéria sobre deliquência juvenil, alavancada pelo caso Suzane von Richthofen, aquela que planejou e executou o assassinato dos próprios pais, junto com o namorado e o irmão deste. Interessante como a opinião pública fica chocada quando as atrocidades são cometidas por pessoas de classe média pra cima. A violência dos pobres, dos sem perspectiva, já é esperada e não passa de estatística, quando a vítima é outro pobre. Quando a vítima é da classe média, gera comoção e indignação, como no caso das meninas em Serrambi.
Mas quando os criminosos são da classe média ou alta o quadro é outro. Todos ficam chocados, perplexos. Logo se levanta a possibilidade de insanidade (que alivia muito a sentença), o que quase nunca ocorre nos crimes da "ralé". Como se só os ricos tivessem o direito de ser loucos. Especialistas explicam que a predisposição à violência pode ser uma questão genética, que 1 em cada 100 pessoas apresentam o tal defeito de fabricação, mas só 1 em 1 milhão tem tendência à violência extrema... Outros apontam as falhas na educação desta juventude, que teve tudo permitido e nada negado, e por isso não tem noção de limites, respeito pelos outros ou aspirações além da satisfação pessoal.
Enquanto isso, mais e mais corpos vão pra vala, neste universo paralelo ao nosso, a alguns quilômetros de nossas casas. Os jornais estamparam a cara das meninas em Serrambi, enquanto a cara da menina morta na favela foi estampada com jornais. Mas a opinião pública não se chocou, comoveu ou indignou com este último caso. A maior parte nem tomou conhecimento e os que tomaram, nos 30 segundos dedicados a ela no Cidade Alerta, não distinguiram a árvore anônima em meio a floresta das tragédias. Até porque a floresta é oferecida todos os dias, pontualmente, perto da hora do jantar.
Mas quando os criminosos são da classe média ou alta o quadro é outro. Todos ficam chocados, perplexos. Logo se levanta a possibilidade de insanidade (que alivia muito a sentença), o que quase nunca ocorre nos crimes da "ralé". Como se só os ricos tivessem o direito de ser loucos. Especialistas explicam que a predisposição à violência pode ser uma questão genética, que 1 em cada 100 pessoas apresentam o tal defeito de fabricação, mas só 1 em 1 milhão tem tendência à violência extrema... Outros apontam as falhas na educação desta juventude, que teve tudo permitido e nada negado, e por isso não tem noção de limites, respeito pelos outros ou aspirações além da satisfação pessoal.
Enquanto isso, mais e mais corpos vão pra vala, neste universo paralelo ao nosso, a alguns quilômetros de nossas casas. Os jornais estamparam a cara das meninas em Serrambi, enquanto a cara da menina morta na favela foi estampada com jornais. Mas a opinião pública não se chocou, comoveu ou indignou com este último caso. A maior parte nem tomou conhecimento e os que tomaram, nos 30 segundos dedicados a ela no Cidade Alerta, não distinguiram a árvore anônima em meio a floresta das tragédias. Até porque a floresta é oferecida todos os dias, pontualmente, perto da hora do jantar.
segunda-feira, agosto 09, 2004
Milagres Humanos
Aquele ímã na geladeira que você nem repara ao abrir a porta
Lhe dá uma sensação familiar, quando registrado pelo inconsciente
Faz com que aquele congelado pareça a comida feita na hora pela sua avó
Assim são os pequenos detalhes que o olho fotografa e a consciência não revela
Tentam adivinhar pra onde vai essa geração sem rumo
Pingando em plantas ilícitas, arte rebelde e filosofia fast-food
A geração que não sente o conforto dos detalhes não revelados
Porque o frenesi dos estímulos destruiu a delicada câmera
A geração que agora se encontra sem forma
Como a água de uma garrafa ao ser jogada no chão
Tanta luta por liberdade... e quando enfim ela é conquistada
Percebe-se o quanto é difícil servir-se da água sem algo que a contenha
Um copo, uma garrafa, um rio, um mar
Todos tem um contorno que delimita sua extensão
Sem este contorno a água se espalharia indefinidamente
Como acontece com essa geração
E então os especialistas recomendam educações mais rígidas
"Deve-se impor limites, não ter medo de dizer não"
Afogando os pais em culpa quando um filho tem problemas com drogas
Os mesmos pais que seguiram os especialistas da época
Quando estes diziam quase o oposto do que é falado hoje
Talvez o problema seja a necessidade de fórmulas mágicas
O milagre do microondas, que transforma um congelado quase estragado num jantar
Transformaria fetos em pessoas felizes e produtivas
Mas parece que a natureza não liga muito para os "milagres" humanos
E por mais sofisticadas que sejam as técnicas de jardinagem
Algumas plantas insistem em apresentar anomalias
Lhe dá uma sensação familiar, quando registrado pelo inconsciente
Faz com que aquele congelado pareça a comida feita na hora pela sua avó
Assim são os pequenos detalhes que o olho fotografa e a consciência não revela
Tentam adivinhar pra onde vai essa geração sem rumo
Pingando em plantas ilícitas, arte rebelde e filosofia fast-food
A geração que não sente o conforto dos detalhes não revelados
Porque o frenesi dos estímulos destruiu a delicada câmera
A geração que agora se encontra sem forma
Como a água de uma garrafa ao ser jogada no chão
Tanta luta por liberdade... e quando enfim ela é conquistada
Percebe-se o quanto é difícil servir-se da água sem algo que a contenha
Um copo, uma garrafa, um rio, um mar
Todos tem um contorno que delimita sua extensão
Sem este contorno a água se espalharia indefinidamente
Como acontece com essa geração
E então os especialistas recomendam educações mais rígidas
"Deve-se impor limites, não ter medo de dizer não"
Afogando os pais em culpa quando um filho tem problemas com drogas
Os mesmos pais que seguiram os especialistas da época
Quando estes diziam quase o oposto do que é falado hoje
Talvez o problema seja a necessidade de fórmulas mágicas
O milagre do microondas, que transforma um congelado quase estragado num jantar
Transformaria fetos em pessoas felizes e produtivas
Mas parece que a natureza não liga muito para os "milagres" humanos
E por mais sofisticadas que sejam as técnicas de jardinagem
Algumas plantas insistem em apresentar anomalias
domingo, agosto 08, 2004
Beleza Depressiva
Os livros de auto-ajuda se amontoam nas estantes
Para ela poucas coisas são mais irritantes
Do que a pena cristã, gratuita e narcisista.
Ela sente pela rua o olhar das pessoas
Ela sabe que mesmo sendo pessoas boas
A olham como se fosse um gato prestes a ser atropelado em plena pista.
Ela não é anarquista, socialista ou capitalista
Ela não é culpada pelas várias vidas destruidas
Ela é absolvida por ser muito bonita.
Já está cansada de em vários despertar a paixão
Cansada de assistir o fogo virar comiseração
Quando tomam consciência de que é uma garota depressiva.
As vezes ela sonha em viver num paraíso pagão
Onde olhará as pessoas nos olhos e elas não hesitarão
Em devolver-lhe o olhar com a clareza que necessita.
Para ela poucas coisas são mais irritantes
Do que a pena cristã, gratuita e narcisista.
Ela sente pela rua o olhar das pessoas
Ela sabe que mesmo sendo pessoas boas
A olham como se fosse um gato prestes a ser atropelado em plena pista.
Ela não é anarquista, socialista ou capitalista
Ela não é culpada pelas várias vidas destruidas
Ela é absolvida por ser muito bonita.
Já está cansada de em vários despertar a paixão
Cansada de assistir o fogo virar comiseração
Quando tomam consciência de que é uma garota depressiva.
As vezes ela sonha em viver num paraíso pagão
Onde olhará as pessoas nos olhos e elas não hesitarão
Em devolver-lhe o olhar com a clareza que necessita.
Nessas quase duas semanas que tive de férias, assisti a 6 filmes: Dois no cinema e o resto em DVD. Aí vão algumas humildes impressões que tive dos filmes.
- Tróia: Legal, pela história, pela reconstituição de época, pela mulher que interpreta Helena. Em alguns momentos os diálogos são bobos, abusam dos clichês e algumas cenas de luta são confusas. Apesar disso me proporcionou um bom divertimento.
- Homem Aranha 2: Legal, mas eu esperava mais. A ação demora pra engrenar e mais uma vez temos diálogos bobos. Ocorrem algumas incoerências em relação às HQs, como a parte em que Peter Parker tira a máscara ao tentar salvar um trem. Preferi o primeiro, mas este também é um bom filme.
- Quanto Mais Quente Melhor: Muito bom. Engraçadíssimo. Dois músicos desempregados acabam testemunhando um assassinato de gângsteres e tornam-se alvos da máfia. Para escapar, se disfarçam de mulher e viajam com uma banda feminina. Lá conhecem uma cantora, interpretada pela Marilyn Monroe, e passam por situações engraçadíssimas. Ótimos diálogos e atuações, vale a pena mesmo. Em muitas cenas, só de olhar pra cara do Jack Lemon dá vontade de rir.
- Rashomon: Do diretor japonês Akira Kurosawa, narra a morte de um samurai (a estória se passa no Japão medieval) e o estupro de sua esposa de quatro formas diferentes. As versões dos três envolvidos (o samurai morto conta sua estória através de um médium) e a de uma quarta pessoa que testemunhou o incidente. A idéia central é como diferentes pessoas enxergam o mesmo fato de maneiras diferentes, de acordo com a própria personalidade. Gostei muito, mas demorou um pouco pra capturar minha atenção. Deve ser a influência das mega produções de Hollywood em minha pobre cabeça aculturada.
- Crepúsculo dos Deuses: Extraordinário. Muito, muito bom. Do mesmo diretor de "Quanto mais quente melhor", Billy Wilder este drama versa sobre uma grande estrela do cinema mudo, que foi esquecida com o advento do cinema falado e se recusa a aceitar isso. Com 50 anos, ela vive num delírio espelhado em quando estava no auge, com 25 anos. Foi o que eu mais gostei de todos esses filmes.
- O Homem que Matou o Fascínora: Clássico do velho oeste, este filme conta a trajetória de um pacífico advogado, que chega numa cidade onde a lei em vigor é a lei do revólver. Este filme me apresentou o John Wayne, "o maior astro que já apertou um gatilho", que era o Mel Gibson de "Máquina Mortífera" da época. Muito divertido.
sábado, julho 31, 2004
Coisa curiosa aconteceu aqui em Salvador. Uma baleia encalhou e morreu aqui pertinho da casa do meu pai. 15 metros e 30 toneladas. Ela encalhou num dia e eu fui urubuservar no dia seguinte. Já tinham recolhido boa parte da coitada, mas o pedaço que restou ainda era imenso. O sangue continuava a tingir o mar de vermelho. Desconfio que o fedor (insuportável, dava pra sentir a vários metros de distância) me provocou uma tosse crônica, daquelas que a barriga dói. Os cigarros contribuiram um pouco, é claro, mas o principal foi o fedor da baleia. Como disse Nonato, eu devo ser alérgico a fedor de baleia morta.
Como era de se esperar, vários curiosos como eu observando a catástrofe. A tragédia sempre desperta atenção, e as dimensões do bicho amplificaram o fenômeno. Prejuízo para os quiosques, pois embora houvesse muita gente no local, ninguém em sã consciência pararia pra tomar uma cerveja com aquele fedor. Manchetes para os jornais, estudo para os biólogos e um espetáculo raro para os demais. Sem filas, sem ingressos e sem tristeza. Para um povo acostumado a ver mortes diariamente nos jornais, a morte de uma baleia nada representa.
Como era de se esperar, vários curiosos como eu observando a catástrofe. A tragédia sempre desperta atenção, e as dimensões do bicho amplificaram o fenômeno. Prejuízo para os quiosques, pois embora houvesse muita gente no local, ninguém em sã consciência pararia pra tomar uma cerveja com aquele fedor. Manchetes para os jornais, estudo para os biólogos e um espetáculo raro para os demais. Sem filas, sem ingressos e sem tristeza. Para um povo acostumado a ver mortes diariamente nos jornais, a morte de uma baleia nada representa.
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