Ah, a falta de inspiração
Sugando as cores dos dias e o brilho de sua passagem
Alargando vazios onde nada floresce e os minutos aceleram
Períodos de que se lembra pouco
Saudades do entusiasmo, recordações antigas
Coloridas pela imprecisão da memória
Enfraquecida por prazeres fugazes
Que não mais entusiasmam
Sentado na poltrona da sala de jantar
Com o tempo sendo gasto pela variedade de canais
Permaneço em torpor
Esperando algo que só acontecerá por minha ação
Trasnpiração necessária para resgatar a inspiração
Que devolverá aos dias o brilho e a cor.
domingo, junho 12, 2005
quarta-feira, março 30, 2005
Obrigado, Dona Chuva
A chuva cai. Não veio "como gotas em silêncio, tão furioso...". Não. Veio trazendo o gostoso som da Natureza, envolvendo os ruídos da cidade, que mesmo ao dormir (são 4:27), "barulha" alto. Veio num tom baixo, que foi aumentando sem pressa, sem necessidade de afirmação. Talvez tenha atingido seu auge neste exato momento, já que não ouço mais o barulho dos ar-condicionados que minha janela aberta facilita a entrada. Sim, está mais forte agora, dominou completamente os ruídos da cidade. Um trovão se faz ouvir.
Ouvir a chuva, não lembro de ter parado pra fazer isso. Agradável surpresa, a chuva me trouxe Tranquilidade. Talvez por suprimir os ruídos da cidade, por me permitir passar alguns ótimos minutos em silêncio, ouvindo-a. Por baixar o volume dos meus pensamentos. Por me fazer sentir o gosto, mesmo que por breves instantes, de uma serenidade plena, de uma mente vazia. Marteladas do desejo dissipadas.
Obrigado, Dona Chuva. Volte quando puder, de preferência quando eu estiver abrigado.
Ouvir a chuva, não lembro de ter parado pra fazer isso. Agradável surpresa, a chuva me trouxe Tranquilidade. Talvez por suprimir os ruídos da cidade, por me permitir passar alguns ótimos minutos em silêncio, ouvindo-a. Por baixar o volume dos meus pensamentos. Por me fazer sentir o gosto, mesmo que por breves instantes, de uma serenidade plena, de uma mente vazia. Marteladas do desejo dissipadas.
Obrigado, Dona Chuva. Volte quando puder, de preferência quando eu estiver abrigado.
domingo, março 06, 2005
Cultivo do Desapego
Não faz sentido baforar culpa se não parei de fumar
Não faz sentido erguer muros em torno da casa que habitarei por pouco tempo
E tudo é pouco tempo, se a vida é pouco tempo
O risco do assalto não tem o direito de impedir a liberdade, apesar de o fazer
O conforto da segurança pode resultar numa vida amarga
Com os sonhos trancados num cofre o qual se evita passar perto
No máximo projetados no cinema do devaneio
Preocupações com o futuro são necessárias, mas vão muito além do necessário
Tirando a cor do presente que a vida nos oferece
Se eu morrer amanhã não estarei pertinho do céu
Pois o peso do cofre selado continuará me prendendo ao chão
Idealismo ingênuo talvez... talvez a astúcia esteja agora
na fila dos aposentados, lamentando, além da pouca renda,
A perda das chaves do cofre, esquecidas pela sua esperteza
Não faz sentido erguer muros em torno da casa que habitarei por pouco tempo
E tudo é pouco tempo, se a vida é pouco tempo
O risco do assalto não tem o direito de impedir a liberdade, apesar de o fazer
O conforto da segurança pode resultar numa vida amarga
Com os sonhos trancados num cofre o qual se evita passar perto
No máximo projetados no cinema do devaneio
Preocupações com o futuro são necessárias, mas vão muito além do necessário
Tirando a cor do presente que a vida nos oferece
Se eu morrer amanhã não estarei pertinho do céu
Pois o peso do cofre selado continuará me prendendo ao chão
Idealismo ingênuo talvez... talvez a astúcia esteja agora
na fila dos aposentados, lamentando, além da pouca renda,
A perda das chaves do cofre, esquecidas pela sua esperteza
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
Desarmonia com o Tempo
As horas passadas dando a sensação de inutilidade
Os períodos em branco, quando a vida parece se sufocar
Esperar par agir, agir para esperar... tão simples e tão difícil
Quando o que se deve, o que se deseja e o que se pode fazer
Desfilam na mente, dificultando a escolha
Porque escolher implica em excluir, e não sou bom com exclusões
As excluidas no desfile volta e meia me importunam...
As ouço, consolo, prometo atendê-las logo...
Deixando a escolhida enciumada por só estar presente em corpo
Quando inventarem disciplina pra vender, vou gastar a grana que tiver
Como as chances são remotas, resta o esforço do hábito que demora
a dar resultado. E resultados que demoram não estimulam o meu esforço
Talvez eu devesse cultivar bonsais como hobby
Os períodos em branco, quando a vida parece se sufocar
Esperar par agir, agir para esperar... tão simples e tão difícil
Quando o que se deve, o que se deseja e o que se pode fazer
Desfilam na mente, dificultando a escolha
Porque escolher implica em excluir, e não sou bom com exclusões
As excluidas no desfile volta e meia me importunam...
As ouço, consolo, prometo atendê-las logo...
Deixando a escolhida enciumada por só estar presente em corpo
Quando inventarem disciplina pra vender, vou gastar a grana que tiver
Como as chances são remotas, resta o esforço do hábito que demora
a dar resultado. E resultados que demoram não estimulam o meu esforço
Talvez eu devesse cultivar bonsais como hobby
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
Devagar na Ponte
O ar entra, com alguma dificuldade
Longe da altitude, mas no alto do cansaço de fim de noite
Aprecio o clarear na ponte. Já faz tempo...
A visão me manda para o passado por instantes
Onde os perigos eram fascinantes, os riscos desafiantes...
Ao andar pela mesma ponte, já de volta ao presente
A rota mais segura me parece a mais atraente
O tempo necessário para as coisas por fazer
Exige disciplina, foco, sobriedade
Não da mais para vagar sem rumo pela cidade
Apreciando tudo aquilo que através de planos não se pode ver
Distraido com tudo isso, quase sou atropelado
Por alguém que não tem tempo para andar mais lentamente
Pressa que cada vez mais me leva para o seguro lado
Deixando a criança em mim frustrada, lembrando a sensação ainda recente
Por isso prossigo devagar na ponte
Criança quer ver sol perto de rio... o mesmo de anos atrás
E criança esperta com raiva é o perigo
Longe da altitude, mas no alto do cansaço de fim de noite
Aprecio o clarear na ponte. Já faz tempo...
A visão me manda para o passado por instantes
Onde os perigos eram fascinantes, os riscos desafiantes...
Ao andar pela mesma ponte, já de volta ao presente
A rota mais segura me parece a mais atraente
O tempo necessário para as coisas por fazer
Exige disciplina, foco, sobriedade
Não da mais para vagar sem rumo pela cidade
Apreciando tudo aquilo que através de planos não se pode ver
Distraido com tudo isso, quase sou atropelado
Por alguém que não tem tempo para andar mais lentamente
Pressa que cada vez mais me leva para o seguro lado
Deixando a criança em mim frustrada, lembrando a sensação ainda recente
Por isso prossigo devagar na ponte
Criança quer ver sol perto de rio... o mesmo de anos atrás
E criança esperta com raiva é o perigo
quarta-feira, dezembro 29, 2004
Tsunamis, Profecias, Acaso e Morte
Ondas de 10 metros arrastando o que estava no caminho. 24 mil mortos, número que deve aumentar. Doenças como a malária estão previstas para as áreas afetadas. Turistas em desespero tentam voltar para casa. Os países que não foram atingidos preocupam-se com a possibilidade.
Este início de século foi marcado por tragédias, mas a natureza ainda não tinha se revoltado com tamanha magnitude. Sinal do apocalipse próximo ? É o que profecias indicam. Paralelos às previsões fatalistas, estão o choro do garotinho cujos pais não se sabe se sobreviveram, a rede de esgotos destruida que testará os sobreviventes com doenças, a mobilização de organizações internacionais para conter as desgraças e reconstruir o que a fúria da água tocou.
A tragédia natural se junta às variadas tragédias provocadas pelo homem para compor um quadro assustador. Será que valerá a pena, para a minha geração, ter filhos ? Colocar uma vida num mundo onde se morre sem culpa, sem velhice, sem motivo ? Talvez isso sempre tenha ocorrido, de diferentes formas, ao longo da História: Fogueira da Inquisição, espada de mercenário, dentes de feras selvagens. Talvez o que assuste é perceber o quanto é frágil a segurança proporcionada pelo progresso da civilização. O quanto o acaso é responsável por nossas vidas e mortes.
Para mal ou bem, o acaso é uma manifestação daquilo que está além de nós, que muitos chamam de Deus. Não compreendemos de que maneira ele atua, que padrões segue, se é que segue algum padrão. Ficamos chocados com suas fatalidades porque todo o nosso esforço por segurança é inútil diante dele. Ninguém previu as Tsunamis, não foi possível. Será possível algum dia ? Talvez algum profeta saiba responder.
Este início de século foi marcado por tragédias, mas a natureza ainda não tinha se revoltado com tamanha magnitude. Sinal do apocalipse próximo ? É o que profecias indicam. Paralelos às previsões fatalistas, estão o choro do garotinho cujos pais não se sabe se sobreviveram, a rede de esgotos destruida que testará os sobreviventes com doenças, a mobilização de organizações internacionais para conter as desgraças e reconstruir o que a fúria da água tocou.
A tragédia natural se junta às variadas tragédias provocadas pelo homem para compor um quadro assustador. Será que valerá a pena, para a minha geração, ter filhos ? Colocar uma vida num mundo onde se morre sem culpa, sem velhice, sem motivo ? Talvez isso sempre tenha ocorrido, de diferentes formas, ao longo da História: Fogueira da Inquisição, espada de mercenário, dentes de feras selvagens. Talvez o que assuste é perceber o quanto é frágil a segurança proporcionada pelo progresso da civilização. O quanto o acaso é responsável por nossas vidas e mortes.
Para mal ou bem, o acaso é uma manifestação daquilo que está além de nós, que muitos chamam de Deus. Não compreendemos de que maneira ele atua, que padrões segue, se é que segue algum padrão. Ficamos chocados com suas fatalidades porque todo o nosso esforço por segurança é inútil diante dele. Ninguém previu as Tsunamis, não foi possível. Será possível algum dia ? Talvez algum profeta saiba responder.
domingo, dezembro 05, 2004
Diversão
Domingão, me recuperando da farra dos dias anteriores, fui ao shopping recife com Paulo Mineirinho. Já virou hábito. Pelo menos uma vez por semana vou ao shopping com ele, fora as vezes que vou sozinho, ou com o pessoal do cursinho. Boa parte dos meus amigos fala: "pô, Bernardo, shopping é um saco..." Será ?
O que eu faço no shopping pode ser resumido em três itens: Tomar café de graça na sodiler, ler um pouco dos livros, olhar as mulheres. A companhia de Paulo é especialmente boa para este último, pois exercitamos a cretinagem criativa tecendo comentários sobre os monumentos ambulantes. Não vou entrar em detalhes em respeito à discrição do elemento mineiro. Posso dizer que é sempre divertido... e gratuito.
Atualmente existem muitas opções de diversão, várias tecnologias sendo desenvolvidas com este objetivo. No entanto, estes atalhos para a diversão muitas vezes não levam à ela. Quando levam não satisfazem, induzem a várias repetições da "atividade divertida"... até o ponto em que se enjoa dela. Então surge uma nova "atividade divertida" mais sofisticada... e o ciclo se repete.
O resultado é que somos cada vez mais exigentes com a diversão. Ficar conversando bobagens com um amigo num local agradável não é divertido, não quando se pode ir pro barzinho da moda, mandar torpedos pras gatinhas com o celular recém lançado. Será que a gurizada ainda joga pião, bolinha de gude, esconde-esconde, polícia e ladrão... ou será que pra eles toda a diversão se resume ao Playstation 2 e seus milhares de jogos ?
Quem não me conhece pode achar que sou um senhor ranzinza, com saudades da infância nos anos 50. Não, eu tenho apenas 20 anos. Não tenho aversão às novas tecnologias, eu as uso bastante. O problema é limitar-se à elas na busca por diversão. Porque será difícil não cair no comprar-usar-enjoar-comprar o novo. Elas são feitas pra isso. Quando demoram a enjoar, são lançadas novas versões, melhoradas, para que o ciclo continue. E a diversão gerada por este ciclo não satisfaz. Se o fizesse, o próprio ciclo morreria.
É bom lembrar que a melhor amiga da diversão é a imaginação. É ela que faz com que a criança pobre passe horas se divertindo com seu carrinho de madeira sem desejar outra coisa, pelo menos até os apelos do consumo a atingirem. É ela que faz com que uma ida ao shopping seja tão divertida, mesmo sem estar com um real no bolso.
O que eu faço no shopping pode ser resumido em três itens: Tomar café de graça na sodiler, ler um pouco dos livros, olhar as mulheres. A companhia de Paulo é especialmente boa para este último, pois exercitamos a cretinagem criativa tecendo comentários sobre os monumentos ambulantes. Não vou entrar em detalhes em respeito à discrição do elemento mineiro. Posso dizer que é sempre divertido... e gratuito.
Atualmente existem muitas opções de diversão, várias tecnologias sendo desenvolvidas com este objetivo. No entanto, estes atalhos para a diversão muitas vezes não levam à ela. Quando levam não satisfazem, induzem a várias repetições da "atividade divertida"... até o ponto em que se enjoa dela. Então surge uma nova "atividade divertida" mais sofisticada... e o ciclo se repete.
O resultado é que somos cada vez mais exigentes com a diversão. Ficar conversando bobagens com um amigo num local agradável não é divertido, não quando se pode ir pro barzinho da moda, mandar torpedos pras gatinhas com o celular recém lançado. Será que a gurizada ainda joga pião, bolinha de gude, esconde-esconde, polícia e ladrão... ou será que pra eles toda a diversão se resume ao Playstation 2 e seus milhares de jogos ?
Quem não me conhece pode achar que sou um senhor ranzinza, com saudades da infância nos anos 50. Não, eu tenho apenas 20 anos. Não tenho aversão às novas tecnologias, eu as uso bastante. O problema é limitar-se à elas na busca por diversão. Porque será difícil não cair no comprar-usar-enjoar-comprar o novo. Elas são feitas pra isso. Quando demoram a enjoar, são lançadas novas versões, melhoradas, para que o ciclo continue. E a diversão gerada por este ciclo não satisfaz. Se o fizesse, o próprio ciclo morreria.
É bom lembrar que a melhor amiga da diversão é a imaginação. É ela que faz com que a criança pobre passe horas se divertindo com seu carrinho de madeira sem desejar outra coisa, pelo menos até os apelos do consumo a atingirem. É ela que faz com que uma ida ao shopping seja tão divertida, mesmo sem estar com um real no bolso.
terça-feira, novembro 30, 2004
Nadando
Há um certo prazer em não revelar o meu interior
Trancando dentro de mim minha suposta sabedoria
E esse deleite se espalha e se edifica em bases líquidas
Já que a própria sensação é fluídica
E flui com intensidade, sem ser compartilhada
Raramente a represa se abre
Já que a água, ao sair, muitas vezes volta suja
Mas será que já não estava impura quando contida ?
Maculada pela vaidade que tento não revelar ?
Seja como for, já me afoguei nesse mar
E suas cores caleidoscópicas anularam o meu fazer
Governado pela apatia, tive que fazer o caminho inverso
Tingindo tudo de preto e branco, para voltar a funcionar
Mas as cores me chamam, seduzindo-me quando tento evitar
E talvez agora eu possa mergulhar sem estilhaçar minha objetividade
Coisas que antes desprezava vêm a tona para me integrar
Seja com o mundo, seja comigo mesmo
Trancando dentro de mim minha suposta sabedoria
E esse deleite se espalha e se edifica em bases líquidas
Já que a própria sensação é fluídica
E flui com intensidade, sem ser compartilhada
Raramente a represa se abre
Já que a água, ao sair, muitas vezes volta suja
Mas será que já não estava impura quando contida ?
Maculada pela vaidade que tento não revelar ?
Seja como for, já me afoguei nesse mar
E suas cores caleidoscópicas anularam o meu fazer
Governado pela apatia, tive que fazer o caminho inverso
Tingindo tudo de preto e branco, para voltar a funcionar
Mas as cores me chamam, seduzindo-me quando tento evitar
E talvez agora eu possa mergulhar sem estilhaçar minha objetividade
Coisas que antes desprezava vêm a tona para me integrar
Seja com o mundo, seja comigo mesmo
segunda-feira, novembro 29, 2004
quarta-feira, novembro 24, 2004
O guia espiritual Raul Seixas
Ouvi Raul pela primeira vez muito novo, por volta dos 9 anos. Meu pai me chamou pra ouvir "Al Capone", no seu apartamento em São Paulo. De volta a Recife, o marido da minha prima me deu uma fita cassete de Raul. Decorei as músicas rapidinho, e como vivia a canta-las, minha madrinha me deu o "Raul Seixas: Uma antologia". Todas as letras, além do resumo da vida e um bocado de luz sobre as várias faces do baiano. Foi meu livro de cabeceira por um tempo.
Costumo dizer que uma das minhas grandes frustrações é saber que nunca irei a um show de Raul. Pagaria caro para vê-lo, mesmo que completamente embriagado, errando todas as letras. E eu não sou o único. Raul continua importante, seja para os que o viram no auge, seja para os que nem eram nascidos quando ele morreu. Uma das razões disso é sua "Metamorfose Ambulante". Tem Raul para românticos, realistas, místicos, rebeldes... Para quem só quer ouvir humor inteligente numa letra fácil ou para quem passa horas descobrindo diversas significações em suas letras.
É, Raul faz pensar. Talvez essa seja a principal razão de sua magia resistir ao tempo. Não é tanto a identificação ou a concordância com as letras, como ocorre com Legião Urbana e Los Hermanos. É o refletir sobre o que ele diz, interpretando da tua maneira, buscando a tua verdade. E Raul sabia como poucos vestir idéias com roupas diferentes. Uma mensagem anarquista numa música infantil exibida na Globo, uma música sobre Deus (ou melhor, Krishna) que muitos pensam ser sobre amor...
"Não sou cantor nem compositor, uso a música para dizer o que penso". Segundo Sylvio Passos e Toninho Buda, autores do livro que citei, a verdadeira vocação de Raul era ser escritor. Pois eu acho que a grande vocação de Raul era ser guia espiritual. Pode parecer estranho falar isso de alguém que morreu prematuramente devido ao abuso de álcool. Mas eu encontrei e encontro não apenas conforto, mas Luz e Caminhos na obra de Raul. "Tente Outra Vez" e "Planos de Papel" me ajudaram muito mais do que análises e livros de auto-ajuda. Por isso eu digo que sua vocação não foi frustrada. Pelo menos não pra mim.
Costumo dizer que uma das minhas grandes frustrações é saber que nunca irei a um show de Raul. Pagaria caro para vê-lo, mesmo que completamente embriagado, errando todas as letras. E eu não sou o único. Raul continua importante, seja para os que o viram no auge, seja para os que nem eram nascidos quando ele morreu. Uma das razões disso é sua "Metamorfose Ambulante". Tem Raul para românticos, realistas, místicos, rebeldes... Para quem só quer ouvir humor inteligente numa letra fácil ou para quem passa horas descobrindo diversas significações em suas letras.
É, Raul faz pensar. Talvez essa seja a principal razão de sua magia resistir ao tempo. Não é tanto a identificação ou a concordância com as letras, como ocorre com Legião Urbana e Los Hermanos. É o refletir sobre o que ele diz, interpretando da tua maneira, buscando a tua verdade. E Raul sabia como poucos vestir idéias com roupas diferentes. Uma mensagem anarquista numa música infantil exibida na Globo, uma música sobre Deus (ou melhor, Krishna) que muitos pensam ser sobre amor...
"Não sou cantor nem compositor, uso a música para dizer o que penso". Segundo Sylvio Passos e Toninho Buda, autores do livro que citei, a verdadeira vocação de Raul era ser escritor. Pois eu acho que a grande vocação de Raul era ser guia espiritual. Pode parecer estranho falar isso de alguém que morreu prematuramente devido ao abuso de álcool. Mas eu encontrei e encontro não apenas conforto, mas Luz e Caminhos na obra de Raul. "Tente Outra Vez" e "Planos de Papel" me ajudaram muito mais do que análises e livros de auto-ajuda. Por isso eu digo que sua vocação não foi frustrada. Pelo menos não pra mim.
segunda-feira, novembro 15, 2004
Planta rara
Na estrada, cabelo ao vento, pedindo carona
Trazendo aos mais velhos lembranças de um tempo de sonhos
Na bolsa alguns motivos para gastar dinheiro com suborno
Que a ajudam a percorrer grandes distâncias, mesmo parada
Também carrega uma barraca para duas pessoas
Prefere acampar na praia, mas sempre viaja pro interior
Seus olhos claros combinam com a roupa que combina com a paisagem
Deixando os homens loucos para combinar algo com ela
Ciente do seu encanto, não se deixa envaidecer
E sua amistosa simplicidade a deixa ainda mais irresistível
No violão toca suas músicas preferidas
E mesmo as mulheres que a invejam adoram ouvi-la cantar
Mesmo conseguindo o que deseja facilmente
Pois ao seu canto de Ossanha nem Vinícius resistiria
Ela permanece loucamente sóbria, não desejando além da conta
Continua na sua busca, que não entende, mas sente
Adubando a vida de todos que encontra no seu caminho
Ela é planta rara, das que o sol tem especial carinho ao iluminar
Atualmente está contente por ter recuperado a liberdade
Perdida por um descuido, ao gastar a grana que precisaria para subornar
Trazendo aos mais velhos lembranças de um tempo de sonhos
Na bolsa alguns motivos para gastar dinheiro com suborno
Que a ajudam a percorrer grandes distâncias, mesmo parada
Também carrega uma barraca para duas pessoas
Prefere acampar na praia, mas sempre viaja pro interior
Seus olhos claros combinam com a roupa que combina com a paisagem
Deixando os homens loucos para combinar algo com ela
Ciente do seu encanto, não se deixa envaidecer
E sua amistosa simplicidade a deixa ainda mais irresistível
No violão toca suas músicas preferidas
E mesmo as mulheres que a invejam adoram ouvi-la cantar
Mesmo conseguindo o que deseja facilmente
Pois ao seu canto de Ossanha nem Vinícius resistiria
Ela permanece loucamente sóbria, não desejando além da conta
Continua na sua busca, que não entende, mas sente
Adubando a vida de todos que encontra no seu caminho
Ela é planta rara, das que o sol tem especial carinho ao iluminar
Atualmente está contente por ter recuperado a liberdade
Perdida por um descuido, ao gastar a grana que precisaria para subornar
quarta-feira, novembro 10, 2004
Arco-íris da solidão
É laranja e não ofusca
É azul e não fascina
É verde e não enaltece
É cinza e não deprime
É vermelho e não agita
É branco e não acalma
É amarelo e não anima
É marrom e não sustenta
Mas é negro e draga tudo
Reinando no arco-íris da solidão.
É azul e não fascina
É verde e não enaltece
É cinza e não deprime
É vermelho e não agita
É branco e não acalma
É amarelo e não anima
É marrom e não sustenta
Mas é negro e draga tudo
Reinando no arco-íris da solidão.
segunda-feira, novembro 08, 2004
Incensos, modas e o que realmente importa
Numa conversa no aniversário de Camila e Tina, o Rafa falou do salto qualitativo que os Los Hermanos deram do primeiro pro segundo disco, de como o terceiro também é lindo... Eu concordei na hora, penso a mesma coisa. Pablo, do alto de sua vasta cultura musical, falou que os barbudos ainda não o convenceram, que a estética e os temas abordados nas letras não o agradam... Iniciou-se uma pequena discussão que foi encerrada na resposta exaladora de sarcasmo de Karla ao meu inocente argumento, que os Los Hermanos fazem muito bem o que se propoem a fazer. "O É o Tcham também", retrucou a jovenzinha.
Jogando xadrez aprendi a reconhecer a derrota, e a não prosseguir com o jogo por puro orgulho de não desistir. Voltei-me para a cerveja, e antigas reflexões sobre moda e bandas incensadas vieram a tona. Lembrei-me de Paulo Moita, em 99, falando que hoje em dia os burguesinhos gostam de Nirvana e Planet Hemp, que ele gostava nas antigas e agora não ouvia mais.
É um fenômeno curioso, presente em qualquer estilo. Um artista, de repente, estoura. Sua música toca a exaustão nas rádios, seu clipe vai para o disk MTV. Muita gente passa a consumir o trabalho da nova celebridade. A imprensa especializada se derrama em elogios. Os antigos fãs do cara se gabam de já o conhecerem há anos, quando ele não era ninguém.
Já o povo mais ligado em música, que já passou incontáveis horas ouvindo grandes artistas e já viu esse fenômeno se repetir várias vezes, costuma reagir de forma inversa. Falam que o que está fazendo sucesso é um lixo, que o êxito se deve ao bom marketing que fizeram pra ele, e se o cara for antigo, que ele era bom nos anos 70. Ocorre também de fãs o renegarem porque ele estourou. "O cara se vendeu", dizem.
Boa parte da população é feliz seguindo modas. São rotulados de alienados, sem personalidade, por aqueles que não seguem. O curioso é que muitas vezes os que não seguem modas são influenciados por elas na mesma proporção, ao enfiarem na cabeça que o que está na moda é ruim, antes mesmo de parar pra escutar a obra. Quando o fazem procuram defeitos para justificar a opinião pré-concebida.
Nesse jogo, a obra se perde. Os que gostam o fazem muito mais pela influência da moda, e o mesmo ocorre com os que não gostam. Com o julgamento turvado por essa elegante senhora, fica difícil entrar na viagem do artista. Que no fim das contas, é o que realmente importa. A elegante senhora, aparentemente imortal, já tem poder demais. Acho que não devemos dar a ela ainda mais, seja aceitando de bom grado a moeda que ela nos joga, seja recusando "inteligentemente". Basta olhar a moeda com clareza, e decidir se ela merece ou não entrar para sua coleção.
Jogando xadrez aprendi a reconhecer a derrota, e a não prosseguir com o jogo por puro orgulho de não desistir. Voltei-me para a cerveja, e antigas reflexões sobre moda e bandas incensadas vieram a tona. Lembrei-me de Paulo Moita, em 99, falando que hoje em dia os burguesinhos gostam de Nirvana e Planet Hemp, que ele gostava nas antigas e agora não ouvia mais.
É um fenômeno curioso, presente em qualquer estilo. Um artista, de repente, estoura. Sua música toca a exaustão nas rádios, seu clipe vai para o disk MTV. Muita gente passa a consumir o trabalho da nova celebridade. A imprensa especializada se derrama em elogios. Os antigos fãs do cara se gabam de já o conhecerem há anos, quando ele não era ninguém.
Já o povo mais ligado em música, que já passou incontáveis horas ouvindo grandes artistas e já viu esse fenômeno se repetir várias vezes, costuma reagir de forma inversa. Falam que o que está fazendo sucesso é um lixo, que o êxito se deve ao bom marketing que fizeram pra ele, e se o cara for antigo, que ele era bom nos anos 70. Ocorre também de fãs o renegarem porque ele estourou. "O cara se vendeu", dizem.
Boa parte da população é feliz seguindo modas. São rotulados de alienados, sem personalidade, por aqueles que não seguem. O curioso é que muitas vezes os que não seguem modas são influenciados por elas na mesma proporção, ao enfiarem na cabeça que o que está na moda é ruim, antes mesmo de parar pra escutar a obra. Quando o fazem procuram defeitos para justificar a opinião pré-concebida.
Nesse jogo, a obra se perde. Os que gostam o fazem muito mais pela influência da moda, e o mesmo ocorre com os que não gostam. Com o julgamento turvado por essa elegante senhora, fica difícil entrar na viagem do artista. Que no fim das contas, é o que realmente importa. A elegante senhora, aparentemente imortal, já tem poder demais. Acho que não devemos dar a ela ainda mais, seja aceitando de bom grado a moeda que ela nos joga, seja recusando "inteligentemente". Basta olhar a moeda com clareza, e decidir se ela merece ou não entrar para sua coleção.
sábado, novembro 06, 2004
Meu quarto, meu reino, minha prisão
No lugar onde passo a maior parte do tempo
Onde o cheiro do cinzeiro incomoda os de pulmão limpo
Eu decolo e flutuo... como uma águia
Pelos ares contidos em objetos pequenos
Em meio ao caos dos discos, livros e revistas
Amigos reais e virtuais me visitam, me alegram
A dois passos da minha cama acesso o mundo
Através do meu brinquedinho mais moderno
Tão perfeito é o meu reino que eu não preciso sair dele
Tem comida num estado vizinho, banheiro num estado próximo
Nele ouço o que quero, leio o que quero, converso com quem quero
Escrevo o que quero, para quem quiser ler
Dessa forma, aprisionado pela perfeição do reino
A vida passa lá fora, com mil cores que deixo de ver
Embriagado que estou pelos estímulos que manuseio
Saio da rota de milhares de coisas que talvez eu devesse viver
Onde o cheiro do cinzeiro incomoda os de pulmão limpo
Eu decolo e flutuo... como uma águia
Pelos ares contidos em objetos pequenos
Em meio ao caos dos discos, livros e revistas
Amigos reais e virtuais me visitam, me alegram
A dois passos da minha cama acesso o mundo
Através do meu brinquedinho mais moderno
Tão perfeito é o meu reino que eu não preciso sair dele
Tem comida num estado vizinho, banheiro num estado próximo
Nele ouço o que quero, leio o que quero, converso com quem quero
Escrevo o que quero, para quem quiser ler
Dessa forma, aprisionado pela perfeição do reino
A vida passa lá fora, com mil cores que deixo de ver
Embriagado que estou pelos estímulos que manuseio
Saio da rota de milhares de coisas que talvez eu devesse viver
quinta-feira, outubro 28, 2004
Dissecando o Descontrole
Ah, os momentos em que a calma me abandona
E com ela meu livre-arbítrio, pois passo
a reagir instintivamente aos estímulos; e meu instinto
pode ser muito agressivo, mesmo com pessoas que gosto
Não sei precisar as causas disso. Mas seu efeito
já gerou muito ressentimento em pessoas que me são preciosas
E quando a calma volta, traz de volta opções de reação mais adequadas
Mas não traz de volta o momento em que eu deveria ter agido de outra forma
O remorso que me invade é proporcional ao descontrole
Tento encontrar justificativas e consigo
Me agarrar nas minhas mentiras para não me afogar no mar de culpa
E nadar lentamente de volta à tranquilidade
A inteligência que me permite perceber isso
É a mesma que me castiga, ao me levar por este caminho
É a mesma que diverte e encanta através das palavras
E também pelas palavras, fere, magoa a muitos...
...Inclusive a mim.
E com ela meu livre-arbítrio, pois passo
a reagir instintivamente aos estímulos; e meu instinto
pode ser muito agressivo, mesmo com pessoas que gosto
Não sei precisar as causas disso. Mas seu efeito
já gerou muito ressentimento em pessoas que me são preciosas
E quando a calma volta, traz de volta opções de reação mais adequadas
Mas não traz de volta o momento em que eu deveria ter agido de outra forma
O remorso que me invade é proporcional ao descontrole
Tento encontrar justificativas e consigo
Me agarrar nas minhas mentiras para não me afogar no mar de culpa
E nadar lentamente de volta à tranquilidade
A inteligência que me permite perceber isso
É a mesma que me castiga, ao me levar por este caminho
É a mesma que diverte e encanta através das palavras
E também pelas palavras, fere, magoa a muitos...
...Inclusive a mim.
sábado, outubro 23, 2004
Da parlosidade
Desde que o homem desenvolveu a linguagem que a pala é um importante instrumento para a realização dos seus desejos. Entenda-se como pala qualquer ocorrência verbal que visa a obtenção dos desejos do parloso. Muitas vezes a pala está associada à mentira, mas nem sempre isso é verdade. De vez em quando a pala é uma verdade, contada de forma tal que leve o ouvinte a fazer ou pensar o que o parloso deseja.
Existem vários tipos de pala. A pala sedutora, também conhecida como "cascata", visa atrair o sexo oposto (ou o mesmo sexo, depende da opção do parloso). A pala financeira objetiva alguma vantagem com o dimdim, seja para pagar menos no ra-rá da conta do bar, conseguir dinheiro emprestado ou mesmo protelar o pagamento do empréstimo já concedido. Tem a pala fanfarrona, onde se desperta a crença nos ouvintes de qualidades ou posses inexistentes no parloso. Já a pala "instinto de liso" visa receber algo de valor desprezível. A pala "advocacia" tenta limpar a barra de um amigo, ou de qualquer um que pague, no caso dos que exercem a profissão. Como se pode ver, a quantidade de tipos de pala é proporcional à pluraridade dos desejos humanos.
O parloso de boa índole, o bom malandro, se vale das palas para benefício próprio, sem prejudicar os outros. Mas há também os parlosos mau-caráter, que usam a pala de forma nociva. Difamação, intrigas, calotes: nessas áreas o parloso canalha tem prazer especial em atuar. Mas não podemos nos esquecer que a pala é um instrumento. Da mesma forma que não faz sentido ser contra a faca por ter gente que a usa para matar em vez de cortar o bife, também é ilógico opor-se à pala pelos patifes que a usam de forma vil. Portanto, viva a pala proferida pelos bons parlosos!
Existem vários tipos de pala. A pala sedutora, também conhecida como "cascata", visa atrair o sexo oposto (ou o mesmo sexo, depende da opção do parloso). A pala financeira objetiva alguma vantagem com o dimdim, seja para pagar menos no ra-rá da conta do bar, conseguir dinheiro emprestado ou mesmo protelar o pagamento do empréstimo já concedido. Tem a pala fanfarrona, onde se desperta a crença nos ouvintes de qualidades ou posses inexistentes no parloso. Já a pala "instinto de liso" visa receber algo de valor desprezível. A pala "advocacia" tenta limpar a barra de um amigo, ou de qualquer um que pague, no caso dos que exercem a profissão. Como se pode ver, a quantidade de tipos de pala é proporcional à pluraridade dos desejos humanos.
O parloso de boa índole, o bom malandro, se vale das palas para benefício próprio, sem prejudicar os outros. Mas há também os parlosos mau-caráter, que usam a pala de forma nociva. Difamação, intrigas, calotes: nessas áreas o parloso canalha tem prazer especial em atuar. Mas não podemos nos esquecer que a pala é um instrumento. Da mesma forma que não faz sentido ser contra a faca por ter gente que a usa para matar em vez de cortar o bife, também é ilógico opor-se à pala pelos patifes que a usam de forma vil. Portanto, viva a pala proferida pelos bons parlosos!
domingo, outubro 10, 2004
Semente de Maçã
O frio na barriga da paixão ainda nascente
Me embaça o olhar, as idéias e o conforto
Inquieto, mentalmente te busco
E te encontro sorrindo... apagando tudo ao meu redor
Ouvindo uma melodia qualquer, o violão na mão
Tento libertar meu pensamento de você
Mas ao tocar as cordas eu imagino os seus cabelos...
E a música resultante sequer arranha sua soberania na minha mente
Por fim te encontro, do mesmo jeito que minha memória te guardou
Dividimos idéias, sorrisos e discordâncias
Não sinto a menor vontade de te mostrar que está errada
Sabendo que corro o risco de ao ganhar a discussão, perder o seu afeto
Mesmo assim, sem querer, falo algo que te desagrada
A conversa é encerrada sem que eu entenda o motivo
Meu olho tira a última foto e eu deslizo para longe do seu olhar
Para perto de outras galerias onde eu poderia me distrair...
... Se o quadro do teu rosto não ofuscasse todos os outros.
Me embaça o olhar, as idéias e o conforto
Inquieto, mentalmente te busco
E te encontro sorrindo... apagando tudo ao meu redor
Ouvindo uma melodia qualquer, o violão na mão
Tento libertar meu pensamento de você
Mas ao tocar as cordas eu imagino os seus cabelos...
E a música resultante sequer arranha sua soberania na minha mente
Por fim te encontro, do mesmo jeito que minha memória te guardou
Dividimos idéias, sorrisos e discordâncias
Não sinto a menor vontade de te mostrar que está errada
Sabendo que corro o risco de ao ganhar a discussão, perder o seu afeto
Mesmo assim, sem querer, falo algo que te desagrada
A conversa é encerrada sem que eu entenda o motivo
Meu olho tira a última foto e eu deslizo para longe do seu olhar
Para perto de outras galerias onde eu poderia me distrair...
... Se o quadro do teu rosto não ofuscasse todos os outros.
sábado, setembro 25, 2004
Paranóico Esclarecido
Pare, pense, perceba
Transformações multiplicando-se silenciosamente
Por debaixo do véu da normalidade estática
Conspirações definem o destino de milhares
E ao se dar conta da verdade, você é levado ao psiquiatra
O vermelho na paisagem lhe lembra o sangue dos muitos
Que tiveram a existência encerrada sem nenhum motivo aparente
Todos mentem... o tempo todo; E a mentira torna-se verdade
Difundida pela imprensa, contestada por "lunáticos"
O mundo sangra, implorando por clemência
Como uma mãe tendo o ventre perfurado pelo filho
Toda a moralidade que supostamente seguimos é estilhaçada todos os dias
As tragédias constantes tornam-se estatísticas frias
E num quarto escuro, num prédio qualquer
Ele se diverte procurando mensagens ocultas
Sua coerência incontestável convence apenas o seu psicólogo
O resto da humanidade está vacinada contra a sua verdade
O que torna as coisas mais divertidas para ele
Rindo dos tolos fantoches, ele se isola em sua superioridade
Ampliando seus conhecimentos para se livrar da manipulação...
Ele prossegue descascando as infinitas camadas da conspiração
Ele pode vir a ser o salvador da humanidade
Ou mais um que não deixou sua marca na vida
Talvez justamente por não deixar marcas ele vá muito longe...
E ninguém jamais ficará sabendo
Transformações multiplicando-se silenciosamente
Por debaixo do véu da normalidade estática
Conspirações definem o destino de milhares
E ao se dar conta da verdade, você é levado ao psiquiatra
O vermelho na paisagem lhe lembra o sangue dos muitos
Que tiveram a existência encerrada sem nenhum motivo aparente
Todos mentem... o tempo todo; E a mentira torna-se verdade
Difundida pela imprensa, contestada por "lunáticos"
O mundo sangra, implorando por clemência
Como uma mãe tendo o ventre perfurado pelo filho
Toda a moralidade que supostamente seguimos é estilhaçada todos os dias
As tragédias constantes tornam-se estatísticas frias
E num quarto escuro, num prédio qualquer
Ele se diverte procurando mensagens ocultas
Sua coerência incontestável convence apenas o seu psicólogo
O resto da humanidade está vacinada contra a sua verdade
O que torna as coisas mais divertidas para ele
Rindo dos tolos fantoches, ele se isola em sua superioridade
Ampliando seus conhecimentos para se livrar da manipulação...
Ele prossegue descascando as infinitas camadas da conspiração
Ele pode vir a ser o salvador da humanidade
Ou mais um que não deixou sua marca na vida
Talvez justamente por não deixar marcas ele vá muito longe...
E ninguém jamais ficará sabendo
quarta-feira, setembro 15, 2004
O 11 de Setembro Russo
A capa da Veja foi chocante. Uma mãe acariciando o rosto da filha morta, com a outra mão no pescoço, posando para a tragédia. Ao ler a reportagem, o choque aumenta. O 11 de Setembro Russo foi revoltante, pela pouca idade dos alvos. Pela brutalidade dos terroristas, que atiraram pelas costas nas crianças que estavam conseguindo escapar. Pela truculência do governo russo, para o qual o sacrifício de civis é menos importante do que os interesses do Estado.
A revista diz que o terrorismo é o grande inimigo do mundo civilizado. O problema é que o terrorismo nada mais é do que uma reação dos oprimidos aos opressores, ao "mundo civilizado". O terrorismo é injustificável por matar civis aleatoriamente. Mas as mortes provocadas pelo mundo civilizado, por interesses econômicos, militares, são justificáveis ?
Uma consequência curiosa desse atentado foi a aproximação entre Bush e Putin, entre as antigas nações rivais, que num passado recente dividiam o mundo. O massacre ocorreu quando estamos perto das eleições para presidente nos EUA. Sem dúvida fortaleceu Bush e sua plataforma anti-terrorismo. Também é curioso que os EUA há anos têm agentes da CIA na Chechênia, apoiando movimentos separatistas. E foi justamente um grupo separatista, com a ajuda da Al Qaeda, que realizou o atentado.
A revista diz que o terrorismo é o grande inimigo do mundo civilizado. O problema é que o terrorismo nada mais é do que uma reação dos oprimidos aos opressores, ao "mundo civilizado". O terrorismo é injustificável por matar civis aleatoriamente. Mas as mortes provocadas pelo mundo civilizado, por interesses econômicos, militares, são justificáveis ?
Uma consequência curiosa desse atentado foi a aproximação entre Bush e Putin, entre as antigas nações rivais, que num passado recente dividiam o mundo. O massacre ocorreu quando estamos perto das eleições para presidente nos EUA. Sem dúvida fortaleceu Bush e sua plataforma anti-terrorismo. Também é curioso que os EUA há anos têm agentes da CIA na Chechênia, apoiando movimentos separatistas. E foi justamente um grupo separatista, com a ajuda da Al Qaeda, que realizou o atentado.
sábado, setembro 04, 2004
Cumprimento da Profecia
A tempestade moveu as pedras antigas
Utilizadas em rituais xamânicos
Por aqueles que nossos ancestrais dizimaram
Antes da morte, um último encanto foi lançado
Permaneceria engatilhado por séculos
Até que o deslocamento das pedras o disparasse
Os que tomaram peyote naquela semana
Tiveram a premonição do cataclisma
Entidades que o tempo não diminuiu o ódio
Por terem sido privados da terra, da vida
Despertaram para o cumprimento da profecia
As tragédias começaram... nos quatro cantos do planeta
Líderes mundias com medidas desesperadas
Tentavam inutilmente conter o avanço do caos
Os paranóicos passaram a ser levados a sério
E migraram dos consultórios psiquiátricos
Para a redação de jornais e revistas influentes
Os cultos multiplicaram-se, com suas promessas de salvação
E o dinheiro resultante era investido na segurança de seus pastores
No entanto, por mais alto que se erguessem os muros
E mais blindados que fossem os carros
A proteção era frágil, como um tanque de porcelana
De nada valeu quando a conta de tantas mortes teve de ser paga
A Natureza estava do lado dos Antigos
Que sabiam conviver harmonicamente com ela
As feras escaparam dos zoológicos
Logo após a eficiente campanha do desarmamento
Saciada a sede de justiça
As Entidades puderam desfrutar da paz
Da humanidade restaram apenas os altamente insanos
E o mundo jamais presenciou tamanha felicidade
Utilizadas em rituais xamânicos
Por aqueles que nossos ancestrais dizimaram
Antes da morte, um último encanto foi lançado
Permaneceria engatilhado por séculos
Até que o deslocamento das pedras o disparasse
Os que tomaram peyote naquela semana
Tiveram a premonição do cataclisma
Entidades que o tempo não diminuiu o ódio
Por terem sido privados da terra, da vida
Despertaram para o cumprimento da profecia
As tragédias começaram... nos quatro cantos do planeta
Líderes mundias com medidas desesperadas
Tentavam inutilmente conter o avanço do caos
Os paranóicos passaram a ser levados a sério
E migraram dos consultórios psiquiátricos
Para a redação de jornais e revistas influentes
Os cultos multiplicaram-se, com suas promessas de salvação
E o dinheiro resultante era investido na segurança de seus pastores
No entanto, por mais alto que se erguessem os muros
E mais blindados que fossem os carros
A proteção era frágil, como um tanque de porcelana
De nada valeu quando a conta de tantas mortes teve de ser paga
A Natureza estava do lado dos Antigos
Que sabiam conviver harmonicamente com ela
As feras escaparam dos zoológicos
Logo após a eficiente campanha do desarmamento
Saciada a sede de justiça
As Entidades puderam desfrutar da paz
Da humanidade restaram apenas os altamente insanos
E o mundo jamais presenciou tamanha felicidade
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